8/14/2016

Feto

Sou um coração, que sangra.
Que pulsa, sem repulsa.
Sangra sem demanda
Mas que vive sem delonga

Tenho uma mente insana
Que jorra sem parar
Jorra sem demanda
E pensa sem delonga

Tenho uma ideologia utópica
Um tanto atípica
Que Jorra na mesa do bar
Que termina misantrópica


Tenho um feto
Que não vira afeto
Acaba sempre no desafeto
Deixando meu coração infecto

ID



Nasces como um digito
Trabalhas como um cifrão
Falhas como um milhão
Morres com teu grilhão


8/13/2016

Gozo Infeliz

É agora, no ápice do prazer.
Tudo se esvai, minha mente adormece.
Mas em meio a esse torrencial de prazer
Deitado ao lado de outra, só penso em ti.

Perguntas-me, o que estou a pensar.
Digo nada, acendo um cigarro.
A fumaça imerge da minha cabeça
E vejo sua forma em meio às cinzas

Você diz que me ama,
Que sem mim não consegue viver
Mas como pensar nisso
Se eu mesmo já não consigo persistir?

Dizes-me que sou bom
Que sou especial, diferente e inteligente.
Mas nada tenho de excepcional
Sou apenas mais um dentre os milhares

Cidadão comum, como esses que se vê por ai.
Falo de coisas banais, vejo mulheres.
Mas tu não me completas nem nunca completaras
O vazio de minha alma não sera completado com um amor

8/11/2016

Bota Gasta

Dizia Drummond que não adianta morrer
Mas também não adianta viver
Tudo é ilusório, alma vazia.
Agora não me pergunte o porque

Falam-me para viver
Viver por viver não é a solução
Me destes um gostinho de vida
Para logo em seguida fugir

Matou-se, e junto mastas-te a mim.
Trivialidades apenas
Acordar, estudar, trabalhar.
Que me importa tudo isso?

Viver é o principio do fim
E o fim não é tão mal como pensam
Fez- de mim gato e sapato
Agora já estou desbotado

Uma figura distante
Uma velha fotografia de casamento
Não tenho em mim sonhos
Não quero ser nada, nem nunca fui.

E a minha maior aspiração é chegar ao fim
Não sei a que fim, morrer de nada adianta.
Que essa dor, vire ódio.
E que esse ódio os exploda a todos


8/10/2016

Idealizações

Gosto de coisas assim, subentendidas.
Não é necessário firmar um vinculo
Nem fazer força para que isso aconteça
As coisas devem-se acontecer

O vinculo se forma, se houver necessidade.
Mas não se prenda a ele
Ou acabara matando aquilo que amas
Deixo o tempo ditar as normas

Não é amor livre,
Não é nada
É o desejo apenas
Basta de idealizações

Não a definição
É algo entre a amizade e o desconhecido
Como aquele amigo da fila do pão
No caso na fila do coração

A noite

A noite é o preludio da alma
Os créditos de sua vida vão passando
E sentado detrás de poltronas confortáveis
Críticos paspalhos vão anotando cada momento

Eles não deixam nada escapar
Safados, dizem que sua obra não vale nada.
Falta arte, falta realidade.
Falta vida

Como podem eles saber de algo?
Se ficam apenas lá, no conforto.
Entre quatro paredes
Nada os incomoda, só sabem criticar.

Afinal a noite é para os homens
O que é a paixão para os adolescentes

Conversa noturna

 Esse tempo todo sem te ver
Você menina, você mulher.
Kafka te manda lembranças
Caímos no abismo da profundidade
E juntos saímos, da caverna para ver as luzes.

Devemos aproveitar tais raros momentos
Pois mais raros ainda sãos os que pensam
Desejava-te antes, era bonita bela.
Agora, tal sentimento é deveras supérfluo.

Já não me interessa mais, pois conheci teu amago.
Esculpido pela dor
Tornou-se infinitamente mais bonita
E humana demasiada humana

E nossas mãos,
 Jamais vão se entrelaçar
Mas quando deito a noite
Sua imagem me vem à cabeça

Mas assim são as coisas belas
Momentâneas e platônicas
Pois se queres manter seu ideal vivo
Não deves vivencia-lo


8/04/2016

Cocar

Cocar
Você me diz que qualquer dia eimos de nos encontrar
Pra bater um papo calmo, conversar da alma.
Queria saber dos nossos pássaros
O que foi feito dos nossos cocares?

O meu, criou penas novamente.
E agora se arrisca a voar em meio aos turbulentos ventos
Tu já não sabes direito. Parece que migrou para com as andorinhas
Expulsa cedo do ninho, viu-se obrigada a voar.

Perdida será? Afinal todos estão
Mas essa balada da alma
Há de acontecer
E tudo há de voltar a ser belo e calmo por alguns minutos

Afinal, temos que seguir a correnteza.

8/01/2016

Ode a tristeza

A solidão nunca me incomodou
A estimo muito, mas viver em tal estado de demência.
Nessa ausência, nesse abismo na alma.
O único consola que resta é o suplicio

Tal quadro chega a ter uma beleza fúnebre
Um ultima traço de humanidade
Da qual os escritores tanto gostam
Mas os coitados nunca vivenciaram tal prazer

Sonhos, luzes traços nada mais importa.
Apenas fazer parte desse teatro dramático
Do qual somos todos coadjuvantes
A beleza está no sofrimento

E aos pobres malditos
Só resta aceitar o castigo
Pois deveras o merecem
E um sentimento nobre de expiação os ilumina

Estes sim são os dignos
Pois vivenciam a tragédia
Sem receber nenhum aplauso

6/20/2016

Cartas das 5

 Escrevia o amante insano até o amanhecer
Enamorado de suas próprias mentiras
Tantas ditas até se tornarem verdadeiras

Sua caneta sempre torta
Sua tinta, esgotada.
Ninguém recebia suas cartas
Que ele tão febrilmente escrevia

Os dias em clara
Na busca de um problema
Afinal nada o impedia
E também nada o impelia

Continuava a espera da resposta
Mas sequer sabia o problema
O telefone não tocou
E a porta não se abriu